Também não foi desta que desertei, caro Ganske!
Apesar do grande caos do cosmos capitalista. Dos enredos, por vezes promiscuos das paixões humanas resulta o mesmo que para os nossos camaradas de outrora. O horizonte iluminado pela grande estrela, a edificação do nosso carácter e o triunfo da nossa amada pátria socialista.
E de que pátria somos nós, Herr Ganske? Deste caos, verdade. Sem compartimentos além dos camarins do Bolshoi.
Fomos dançando outros bailados ao longo destas ausências, verdade. Mas como Moscovo não acredita em lágrimas, continuaremos as nossas comunicações em breve. Muito para breve. Deixe só passar esta confusão natalícia porque a desigualdade por vezes nos aprisiona e apesar de tudo sempre sonhamos com não terminar os nossos dias a revolver em contentores de lixo em busca de Pickles Spreewald.
Como diria o seu vizinho Alex, esta talvez seria a pátria com que mais sonhamos do que aquela que realmente foi. E ainda vamos a tempo de ir. Sobretudo agora que o mundo regressa ao que sempre foi, a prisão das paixões de uns em relação a outros. Sempre por cima destes.
Porque não há deus ou tirano que lhes valha se não cerrarmos os nossos punhos e emprestarmos a força e o vigor dos nossos músculos a carregar as pedras basilares da nossa (repetida) pátria socialista. Ainda que sejamos de países ou mundos diferentes.
Retiraram o balê russo da televisão. E vão retirá-lo por uns tempos. Até que mais não sobre do que um grande vazio na humanidade.
Com amizade,
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