Tag, Herr Ganske




Afinal tive de voltar. Quem diria? Poderão mesmo as minhas despedidas ser assim tão descomprometidas? Isto é, digo-lhe, de forma categórica que não volto às comunicações. Que me fartei dos atrasos constantes na linha e cá estou eu, sentado no mesmo café triste de sempre e com a cabeça, como sempre no primeiro acto. 

E fico-me aí, pelo primeiro acto. Quando devia estar no segundo. Como em tudo. O primeiro acto. O primeiro. Console-se, porém, caro Ganske! Carabosse aparece sempre mais cedo. Sempre malévola. Desta vez, porém, ando com escudo protector a benzodiazepinas. Aborrecido, no entanto, por ter de dactilografar isto. Será como reviver pensamentos tumultosos...

Não falo de si, descanse. Sei que chora estas ausências. Como eu choro, de vez em quando. Já sabe como fico quando me alinho na doutrina. Moscovo não acredita em lágrimas e por ora eu também não. Mas como as despedidas tudo é demasiado temporário e não findável na minha condição. Ou será antes infindável? Nunca percebi, nem quero perceber, a fronteira entre as duas. Creio que se o fizer vou olhar pela mesma ponte e calcular o tempo de descida abrupta. 

Recuso isso, claro. Em nome do nosso bailado, pelo menos. Nem que seja para mostrar a Carabosse que não faz mal. A virtude também se faz de esperas. 

Agora findo isto. Não devo voltar muito mais vezes. Que tal o tempo por aí? Por aqui sempre a mesma oscilação trópico sub-trópico. Heyst, Alma e Wang ou Wang, Alma e Heyst?

Alma.

Saudações socialistas!

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