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A mostrar mensagens de dezembro, 2016

Conveniências Mundanas

Sempre sereno Ganske; Que nos passou ao longo de todo este tempo? Trincheiras e valas comuns. Um ribombar constante. Porém, lúcido. Quem fomos nós ao largo de cada coisa conveniente e previsível? Amantes nostálgicos, provavelmente. Merecedores de belezas e subtilezas. Artistas invariavelmente inconformados. Certos, porém, do nosso destino. Sempre certos desse destino. Digo-lhe agora querido Ganske, ainda bem que conhecemos o abismo. E ainda bem que nas nossas leis não houve gravidade. Que ressurgimos como sempre ressurgiremos. Ainda bem. Como em tudo os bailados têm de encerrar com as suas cortinas de veludo. Ficam-nos as memórias. Ficamos com o caos à nossa frente. Ficamos sempre.  Por favor, não chore. De nada adianta. E olhe que sou crente em lágrimas que caem directamente dos nossos corações. Mas para quê? Choram as pernas das nossas bailarinas, chora o bailado eterno que teremos nos nossos corações.  Nós retomaremos um dia. Com músculos fo...

Técnica, Ganske!

Podemos ir por caminhos diversos, camarada Ganske, porém não hesitaremos em concluir, como já o fizemos, que a técnica se aprimorou ao longo dos tempos. Zakharova é disso exemplo. Lamentável como estivemos tão próximos e nem a consegui ver. Como em tudo que passa nas nossas sombrias vidas, neste caos disperso.  Como estamos sempre com o manto aveludado de Aurora sobre o nosso corpo. A toldar-nos o entendimento. A querer enfraquecer tudo o que somos e tudo o que prevalece, não obstante estes interregnos dolorosos e longos. E quanto mais tempo deixaremos a pobre dormir ausente? Esperaremos o desfecho com o beijo prometido? E todas as histórias como a Jon e Igor, os desertores que terminaram os seus dias num colchão cheio de traças a olhar um pátio repleto de despojos? Não nos desanimemos, não é isso. O triunfo virá para aqueles que acreditarem na sua força. Nos seus braços de realismo e nos seus maxilares abertos em grito de revolta. Disso não tenhamos dúvidas. A humanid...

Também não foi desta que desertei, caro Ganske!

Apesar do grande caos do cosmos capitalista. Dos enredos, por vezes promiscuos das paixões humanas resulta o mesmo que para os nossos camaradas de outrora. O horizonte iluminado pela grande estrela, a edificação do nosso carácter e o triunfo da nossa amada pátria socialista.  E de que pátria somos nós, Herr Ganske? Deste caos, verdade. Sem compartimentos além dos camarins do Bolshoi.  Fomos dançando outros bailados ao longo destas ausências, verdade. Mas como Moscovo não acredita em lágrimas, continuaremos as nossas comunicações em breve. Muito para breve. Deixe só passar esta confusão natalícia porque a desigualdade por vezes nos aprisiona e apesar de tudo sempre sonhamos com não terminar os nossos dias a revolver em contentores de lixo em busca de Pickles Spreewald. Como diria o seu vizinho Alex, esta talvez seria a pátria com que mais sonhamos do que aquela que realmente foi. E ainda vamos a tempo de ir. Sobretudo agora que o mundo regressa ao que sempr...