Ano Novo...Bailado Velho



Querido Ganske;


Acredite. Esta ausência (curta) doeu-me tanto a mim como a si. Zakharova esteve em Roma no passado dia 21 de Dezembro. Estivemos ambos, à nossa maneira, expectantes com as notícias desse bailado ( a sós, talvez). 

O que lhe trago hoje é praticamente um telegrama. Árido como todos os telegramas. Drástico (como o fio do telefone enrolado à volta de um pescoço). As comunicações têm disso, de uma certa aridez, de uma certa tragédia. Pense-se nos telegramas de guerra. No estoustopbemstop entre amantes. Nas mentiras que nesses dias nos iludimos em crer. Como cremos em mentiras...

É isto caro Ganske. Por enquanto, por um tempo indeterminado. Enquanto o sol não surgir no seu horizonte. Enquanto houver mais vontade de não existir do que de existir. Fiquemos com Vasiliev. Pelo menos Vasiliev para nos levar para uma terra onde existe belo e sublime. Só para não apagarmos a chama do nosso bailado. 

Sempre seu,




Comentários

Mensagens populares deste blogue

Mais dos Cadernos de Porto Oco

Cadernos de Porto Oco - Outros excertos

O palco dos Grandes Clássicos - A Bela Adormecida