Cadernos de Porto Oco - Outros excertos
Por Afonso Cacilda limpa-me a casa uma vez a cada quinze dias. Vem com o seu ar de prontidão. É um pouco simplória mas agita um pouco dos meus dias e isso traz-me alguma frescura. Não gosto dela, não nesse sentido. É bem casada e tem dois filhos. Contudo, traz-me alguma frescura. Compro o peixe no porto de pescas a Ramiro. É um homem rude mas não me tenta enganar. Poderia fazê-lo, eu que não sei distinguir entre uma e outra espécie. Raramente tomo café fora mas quando o faço vou a uma tasca onde Manuel trabalha. É bem disposto. Feliz, creio. E com ele tomo também uma ligeira dose de felicidade.