Ainda miramos a grande estrela, meu bom Ganske?
Corremos sempre o risco de contar histórias com interregnos demasiado longos. De ausências que transformam a incerteza na constatação tácita de que a vida traz mais respostas pelo silêncio do que pelo barulho estridente. Não quero com isto anunciar o final trágico do seu bailado. Serene o seu espírito, caro Ganske. O que tiver de ser, será. Não é isso que o espírito cruel dos inimigos da classe operária vêm proclamando nas suas certezas categóricas? Que assim seja então. Damos-lhe a vitória, por enquanto. Tomemos a sua linguagem brusca e tão. Carregada dessas certezas. Deixá-los crer, que o mundo é assim, como o apregoam. Que o seu uivo padronizado vale mais do que todas as vozes silenciadas juntas. Porém, é assim como lhe digo. O dia chegará para que o silêncio seja a verdadeira voz. Por esse silêncio, virão as respostas do mais profundo que foi silenciado. Deixemo-nos embalar pela melodia de Tchaikovsky ou preparemos o grito de guerra de Shostakovich e a sua sublime sétima sinfonia...