Linhas escritas em cima de um joelho...
O título é esse, bom Ganske. Passamos a temporada inteira de inverno e nem uma linha sobre o seu final. Sobre os passos sublimes de Aurora, sem Carabosse com a sua beleza mais gritante. Escrevo-lhe agora como se estivesse na linha do comboio. Na linha e não à margem. Que coisa é esta de estar na engrenagem? De cumprir o calendário do mundo e nele viver na fuga de um atropelamento? Poderia estar sentado na estação, vendo, quem sabe, outras almas percorrer a linha de comboio. Os movimentos peristálticos da humanidade, como costumava dizer. Tudo é involuntário nesta coisa de sermos postos em cima dos carris. Tão involuntário como a dor que o tornozelo sente ao suportar o peso do corpo, o destino que paira sobre as nossas cabeças. E ainda assim vamos dançando ao som da mesma melodia. Primeiro o joelho direito em flexão ascendente, depois o impulso traseiro. A propulsão essa...que diremos sobre o que é? O que nos vale (aqui e somente entre nós) é que a grande estre...